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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Distúrbios Neurológicos Associados com o Levantamento de Peso e o Culturismo

O treinamento realizado através do esforço contra-resistência é chamado “treinamento resistido.” O treinamento com pesos é um método de treinamento resistido em que uma sobrecarga (na forma de pesos livres ou blocos de pesos numa máquina) é empurrada ou puxada como uma forma de resistência. O treinamento com pesos pode ser usado como um componente de um programa de condicionamento geral ou como parte de um treinamento geral com o objetivo de melhorar a capacidade do indivíduo para a performance nos esportes ou para satisfazer seus objetivos de condicionamento geral.
O levantamento básico é um esporte em que três levantamentos são executados: o agachamento, supino e o levantamento terra. O levantamento com pesos (também conhecido como levantamento Olímpico) é um esporte separado, em que os levantamentos realizados incluem o arranco e o arremesso. O fisiculturismo é uma competição que enfatiza uma aparência de extrema hipertrofia muscular conquistada através do treinamento com pesos. Em vernáculo, “levantamento com peso” é freqüentemente usado indiferentemente como “treinamento com peso,” e será usado assim neste artigo.

Pesquisas foram realizadas com intuito de identificar as principais lesões ocasionadas pelos praticantes do treinamento com pesos no sistema nervoso periférico e no sistema nervoso central
Foram identificadas lesões no sistema nervoso periférico e no sistema nervoso central em estudos realizados com atletas do treinamento com pesos. Veja a seguir algumas das lesões sistema nervoso periférico ocasionadas pelo treinamento com pesos:
Nervo Medial. A compressão do nervo mediano no punho referida como a síndrome do túnel do carpo é a neuropatia por compressão vista na população em geral. O treinamento com peso que envolve as extremidades superiores podem ser considerado um fator de risco para o desenvolvimento da síndrome do túnel do carpo. Relatos de fisiculturistas de competição descreveram que desenvolveram a síndrome do túnel do carpo enquanto usavam hormônio do crescimento. Acredita-se que isso seja similar ao visto na fisiopatologia em acromegálicos, com hipertrofia secundária do tecido mole à níveis sistêmicos elevados do hormônio do crescimento. A síndrome do túnel do carpo tem ocorrido em basistas que usam esteróides anabólicos para aumentar a performance.
Nervo Ulnar. O nervo ulnar é mais lesionado geralmente no túnel cubital ou no sulco ulnar no cotovelo e no canal de Guyon no punho. Ambos os locais de lesão são vistos em levantadores de peso e fisiculturistas.
Nervo Radial. A neuropatia radial proximal pode ocorrer por causa do levantamento de peso. É considerado que a lesão no nervo é resultado direto do treinamento e da subseqüente hipertrofia muscular.
Nervo Músculocutâneo. O nervo musculocutâneo é um local raro para ocorrer lesões na população em geral, mas pode ocorrer em levantadores de peso.
Nervo Supra-escapular. O nervo supra-escapular é normalmente lesionado em atletas de esportes de arremesso, no qual ocorrem em movimentos repetitivos acima da cabeça, mas a lesão nervo supra-escapular está também relacionada como uma conseqüência do treinamento com peso
Nervo Longo do Tórax. A lesão do nervo longo do tórax leva a fraqueza isolada do músculo serrátil anterior e para a escápula alada. Isso foi relatado em associação com os programas de treinamento com peso num número muito pequeno.
Nervo Peitoral Medial. Uma lesão no nervo que parece bastante específico para levantadores de peso e fisiculturistas.
Outros Nervos. Vários casos descrevem outras mononeuropatias incomuns especificamente em fisiculturistas, freqüentemente em associação com o uso de esteróides anabólicos. Alguns casos de lesão no nervo dorso-escapular com desnervação dos rombóides, outros de lesão no nervo toracodorsal com desnervação do grande dorsal sem envolvimento do músculo peitoral medial.
Plexo Braquial e Raízes Nervosas da Cervical. Pesquisadores documentaram radiculopatias cervicais e lesões do plexo braquial em levantadores de peso.
Nervos das Extremidades Inferiores. Lesão do nervo femoral tem sido relatada em fisiculturistas. A meralgia parestética, aprisionamento do nervo cutâneo femoral lateral da coxa ao nível do ligamento inguinal, é freqüentemente produzido por cintos usados para ficar pendurado (cintos deequipamentos), mas também pode ocorrer com cintos para levantamento de peso. Esses cintos largos são bem apertados na cintura por alguns levantadores de peso para aumentar a pressão intra-abdominal, ostensivamente para apoiar a região lombar durante o levantamento pesado

Existe, alguns distúrbios reconhecidos no sistema nervoso central que podem ser apresentadas nos levantadores de peso.
Cefaléia Benigna. Uma pesquisa constatou que 35% dos atletas universitários enfrentavam dor de cabeça associada com atividades esportivas; o treinamento com peso foi a segunda dor de cabeça mais freqüente relacionada ao esporte após a corrida. Acredita-se que os três diferentes tipos de dores de cabeça benigna são aquelas que ocorrem com relativa freqüência nos levantadores de peso: A cefaléia benigna por esforço, cefaléia cervicogênica e a enxaqueca induzida pelo exercício
A fisiopatologia da cefaléia benigna por esforço pode estar relacionada a qualquer distensão arterial ou venosa secundária a apnéia e a manobra de valsalva durante o esforço particularmente no levantamento com peso. Elevações acentuadas tanto na pressão arterial sistólica quanto na diastólica ocorrem durante os períodos de esforço máximo nos levantadores de peso. Isso pode alterar os vasos intracranianos. O aumento da pressão intratorácica e intra-abdominal durante o esforço pode também ser transmitida através do sistema vascular aumentando a pressão arterial intracranial e venosa. Vários autores sugem que um período de aquecimento antes do exercício pode prevenir a cefaléia benigna por esforço. Uma variante da cefaléia por esforço reconhecido é a “cefaléia do levantador de peso”, e sua fisiopatologia está relacionada com a tensão ligamentar cervical ou o estiramento, mas, outros autores acreditam que isso é mais provável de origem vascular e deste modo, um tipo de cefaléia benigna por esforço.
A cefaléia cervicogênica é reconhecida pela International Headache Society como um dos “descritores para distúrbios da coluna cervical associados a cefaléia”. Muitas estruturas diferentes sensíveis a dor no pescoço foram pressupostas como a produtora de dor nesta condição incluindo articulações, ligamentos, periósteo, anel fibroso, músculos cervicais, raiz nervosa cervical e artérias vertebrais e da carótida. Conforme observado em estudo, pesquisador propôs que a cefaléia dos levantadores de peso era uma cefaléia cervicogênica.
A enxaqueca induzida pelo esforço é mais comum em pacientes que enfrentam episódios de enxaqueca sem exercício. Essas cefaléias tendem a ser provocadas pelo exercício aeróbio máximo e submáximo e são, portanto relativamente incomum em levantadores de peso. O tratamento é similar aquele para a enxaqueca típica.
Outra causa incomum para cefaléia nos levantadores de peso é a pressão do fluido cérebro-espinhal baixa. Essa cefaléia é característica da postura (piora quando ereto). Essa situação, ocorre por causa da perda do fluido cérebro-espinhal, com a ruptura dural mais freqüentemente ocorrendo na raiz do nervo espinhal ao redor das bainhas durais na região torácica.
A hemorragia subaracnóidea em associação com o treinamento com peso pode ser causado pelo aumento da pressão transmural aneurismática secundária ao aumento da pressão arterial média. Casos da ruptura de aneurisma intra-craniano tem ocorrido durante os exercícios rosca para bíceps ou durante o exercício leg press. A hemorragia subaracnóidea causada pela ruptura de más formações arteriovenosas) é menos comum. A pressão vascular muda durante as manobras de valsalva, que apareceram novamente para aumentar o risco de ruptura de más formações arteriovenosas.
Pesquisadores acreditam que a hipertrofia muscular excessiva pode produzir grandes mudanças de pressão sistemicamente durante a manobra de valsalva, predispondo os levantadores de pesos (particularmente aqueles que usam esteróides) para o desenvolvimento do hematomas subdurais não traumáticos. Outros autores acreditam que o período inesperado de hipotensão intra-cranial relativa após a valsalva, causa retração cerebral e subseqüente ruptura de pontes venosas levando ao hematomas subdurais não traumáticos.
O hematoma epidural espinhal e uma emergência neurológica tem ocorrido causando quadriplegia parcial aguda em um atleta fazendo exercícios abdominais enquanto realizava manobra de valsalva. Embora não tenha sido encontrada nenhuma anormalidade vascular subjacente, acredita-se que a transmissão das pressões intra-torácica elevada e intra-abdominal para o plexo venoso epidural levou diretamente a ruptura.
A hemorragia intra-cranial em indivíduos jovens, saudáveis que não tinham uma estrutura básica, lesão vascular ou coagulopatias é incomum, mas pode ocorrer em levantadores de peso.
A hemorragia no neuroma acústico durante o treinamento com peso pesado também foi relatado (representando aproximadamente 8% de todos os tumores do cérebro). Os vasos de paredes finas nesses tumores hiper-vasculares podem estar suscetíveis a ruptura quando sujeitados ao aumento acentuado das pressões arteriais observadas no treinamento com pesos.
O derrame tem ocorrido em fisisculturistas que tem história de anos de uso de esteróide anabólico. O uso do esteróide pode ter promovido agregação da plaqueta e hipercoagulabilidde. Ocorreu também derrame na região medial da artéria cerebral em atletas que tinha consumido uma mistura contendo efedrina, cafeína e creatina. A efedrina pode ter precipitado o derrame, ambos sozinho ou em associação com outros suplementos. O derrame isquêmico na região da arterial cerebral posterior esquerda tem ocorrido em praticantes do treinamento com pesos saudáveis que realizavam abdominais com manobra de valsalva. Isso foi proposto ser devido a uma dissecção vascular intra-cranial da arteria cerebral posterior. O derrame isquêmico que ocorre durante o treinamento com peso foi atribuído a manobra de valsalva causando inversão do fluxo através de um forame oval patente.
A trombose dos sinos durais foi atribuída ao uso de andrógenos pelos fisiculturistas.
Concluímos que as lesões do nervo periférico são relativamente incomuns nos estudos, que examinam tipos de lesão associados com atividades desportivas, com uma estimativa de que as lesões do nervo periférico conte talvez com 0.5% de todas as lesões associadas com os esforços atléticos. Quando especificamente relacionadas com lesões causadas pelo treinamento com peso, as porcentagens das lesões foram de 3.1% a 3.7%.
Várias outras lesões do sistema nervoso periférico em atletas de outros esportes, no entanto, foram consideradas estar relacionadas ao treinamento com peso submetido a esses esportes indicando que isso pode ser uma subavaliação.
A lesão no sistema nervoso ocorre como uma conseqüência da compressão mecânica crônica repetida, que resulta de uma combinação do posicionamento e fatores externos incluindo a hipertrofia muscular e a lesão (edema) do tecido mole local. A lesão ainda pode ocorrer pela combinação da compressão direta e da tensão (tração) do nervo causado pela flexão prolongada da articulação. O levantamento de peso, pode ser o causador de lesões, porque muitos exercícios realizados na academia podem envolver o apoio numa superfície firme ou parcialmente firme para minimizar o uso de outros músculos, tais como quando fazemos exercícios para o músculo bíceps. A lesão no sistema nervoso pode ocorrer em relação ao processo de levantamento de peso pelos mecanismos citados anteriormente pelos alongamentos durante o treinamento ou através de drogas como os esteróides anabólicos ou hormônio do crescimento usado para aumentar a eficácia do treinamento. A lesão do sistema nervoso pode resultar de complicação de auto injeção produzindo trauma direto e com os efeitos fisiológicos das substâncias usadas, O uso dessas drogas e outros suplementos, tanto legais quanto ilegais foram relatados ser comum e crescente. Em alguns casos de lesão no sistema nervoso pode ser ocasionados por anormalidades anatômicas presentes em determinadas articulações. E nas lesões do sistema nervoso central situações intracranial mais ameaçadoras foram associadas com o levantamento de peso. A maioria delas, acredita-se estar associada com aumentos acentuados na pressão intra-abdominal, intra-torácica, e intra-arterial durante a manobra de valsalva no meio do movimento com pesos pesados. A pressão intra-arterial pode ser transmitida diretamente para os vasos intra-cranial, com o aumento da pressão intra-torácica, também aumentando a pressão venosa central, por meio disso impedindo o fluxo venoso e levando ao aumento da pressão intra-cranial, sendo preciptado por atletas que fazem uso de drogas pois as substâncias androgênicas podem aumentar a agregação de plaquetas e aumento da coagulação, e as substâncias reconhecida como um simpatomimético ou vasoconstritor tem sido associado a lesões graves no sistema nervoso central.

Tanto o treinamento com peso saudável quanto suas complicações associadas à prática podem afetar o sistema nervoso central e periférico. O levantamento de peso está se tornando mais prevalente na população geral que pode predizer um aumento na incidência destas condições. Se adequadamente supervisionado, o treinamento com pesos pode ser seguro e eficaz e pode também facilitar na redução do risco para lesão durante a participação em atividades esportivas. O programa de treinamento resistido para a população deve focar principalmente na segurança da utilização dos equipamentos para evitar lesões, na aquisição das técnicas apropriadas e, finalmente, na progressão do treinamento apropriada, que permita o desenvolvimento das qualidades de aptidão desejada. O treinamento resistido sem supervisão deve ser evitado.
Os estudos eletromiográficos, tem mostrado o custo benefício de muitos exercícios realizados por esses atletas do treinamento com pesos, provando se as angulações de bancos, pegadas nas barras, posição dos pés, etc, enfatiza ou não enfatiza, isola ou não isola, recruta ou não recruta, mais aquele segmento muscular que esta sendo solicitado naquele movimento especifico .

BUSCHE K. Neurologic Disorders Associated with Weight Lifting and Bodybuilding. Phys Med Rehabil Clin N Am 20 (2009) 273–286

terça-feira, 1 de junho de 2010

MECANISMOS DE LESÃO ACIDENTAIS VERSUS NÃO-ACIDENTAIS RELACIONADAS AO “LEVANTAMENTO DE PESO” EM JOVENS VERSUS ADULTOS



Com base em análise das lesões relacionadas ao treinamento resistido que resultaram em visitas aos centros de emergência dos EUA, parece que as crianças apresentam um menor risco de entorses articulares e estiramentos musculares relacionadas ao treinamento resistido quando comparadas aos adultos. A maioria das lesões relacionadas ao treinamento resistido em crianças que ocorreram em estudo foi resultante de acidentes que poderiam potencialmente ter sido prevenidos com o aumento da supervisão e o cumprimento estrito das diretrizes de segurança. As evidências acumuladas ao longo da última década têm esclarecido o risco relativo de lesão relacionada ao treinamento resistido comparado com outras formas de participação em atividades esportivas. O treinamento resistido que incorpora a instrução adequada das técnicas é aceito como um modelo de exercício seguro e eficaz para pré adolescentes e crianças adolescentes pela maioria das comunidades médicas, incluindo a Academia Americana de Médicos da Família (AAFP), a Academia Americana de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS), o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), a Sociedade Médica Americana para a Medicina do Esporte (AMSSM), a Sociedade Ortopédica Americana para a Medicina do Esporte (AOSSM), a Academia Americana Osteopática de Medicina do Esporte (AOASM), a Associação Nacional de Força e Condicionamento (NSCA), a Academia Americana de Pediatria (AAP) e o Conselho Presidente de Aptidão Física e Esporte.
Em adição ao aumento das evidências acerca da segurança do treinamento resistido supervisionado em atletas jovens e adolescentes, há evidências que o treinamento resistido possa reduzir a incidência de lesões nos esportes. Essa evidência é baseada nas adaptações benéficas que ocorrem nos ossos, ligamentos e tendões após o treinamento e possui sustentação por documentações baseadas em estudos epidemiológicos.
Os efeitos positivos de um programa de treinamento resistido no aumento da força em adultos têm sido amplamente documentados na literatura. As melhorias na força alcançadas com o treinamento resistido ocorrem por meio da hipertrofia muscular (aumentos na área de secção transversal), mudanças estruturais na fibra muscular (modificações no ângulo de penação), e no sistema neuromuscular (aumento da sincronização e recrutamento das unidades motoras, o que origina o aumento da força em crianças e adolescentes), bem como adaptações metabólicas (suprimento energético melhorado).
Os benefícios do treinamento resistido agora são considerados maiores do que aqueles atribuídos ao crescimento normal e desenvolvimento em crianças e adolescentes. Pesquisadores, listaram os benefícios potenciais do treinamento resistido em atletas jovens que variam do aumento da força muscular até o melhoramento da saúde mental, bem como a estimulação de uma atitude positiva que possa fazer do treinamento resistido uma atividade por toda a vida.
A maturidade física e o tamanho, que podem limitar a utilização de certas máquinas voltadas para o treinamento resistido, não devem ser fatores que limitem a participação em programas de treinamento resistido desenvolvidos e supervisionados. Pesquisadores ainda, demonstraram que, com uma supervisão adequada, as crianças podem ser testadas com segurança e treinadas mesmo com a aplicação de esforços máximos (resistências máximas). Em geral, se os jovens manterem uma maturidade emocional suficiente para aceitarem e seguirem as orientações, então eles estarão prontos para o treinamento de força. Se forem incapazes de seguir a supervisão, então a participação deve ser limitada. Todas as crianças e adolescentes devem ser supervisionados de perto e serem providos com feedbacks competentes e consistentes sobre seu desempenho nos exercícios. Embora as lesões durante o treinamento resistido sejam menos freqüentes do que no desempenho esportivo de fato, elas podem acontecer e devem ser relacionadas ao nível de maturidade. Estudo indica que dois terços das lesões prolongadas em pacientes jovens ocorreram nas mãos e nos pés e foram freqüentemente mais relacionadas a “quedas” (derrubar o peso) e por “preensão” (prender, esmagar) na descrição das lesões. Uma atenção adequada na instrução das maneiras de como se comportar na sala de musculação e também durante a utilização dos equipamentos, conjuntamente com as precauções para prevenir brincadeiras e atenção acerca de como manusear adequadamente objetos pesados na sala de musculação, podem limitar o risco de lesões acidentais na sala de musculação.
Para reduzir a ocorrência de lesões não acidentais em crianças e adolescentes, uma ênfase deve ser colocada na utilização segura dos equipamentos e a técnica correta de praticar os exercícios. Se for permitido ao atleta praticar as manobras referentes ao exercício da forma incorreta com cargas baixas, então o risco de lesão será ampliado com o aumento das cargas. Para melhorar a técnica dos exercícios, os instrutores devem fornecer feedbacks contínuos e imediatos ao atleta jovem, tanto durante a sessão quanto após cada sessão de exercícios). Isso permitirá então que se conscientizem acerca da forma e técnica adequada de execução, bem como as posições indesejáveis e potencialmente perigosas. Adicionalmente, o feedback visual (retorno da informação visual) pode ser útil para fazer com que o jovem atleta fique consciente da prática das técnicas do exercício por meio da identificação visual da biomecânica inadequada. Os instrutores podem utilizar espelhos ou equipamentos de vídeo para auxiliar no fornecimento de um feedback visual. Um feedback visual e verbal pode auxiliar os jovens atletas para combinarem o desempenho de suas técnicas percebidas para suas verdadeiras técnicas. Acima dos benefícios óbvios de uma supervisão adequada na redução no risco de lesão na sala de musculação, uma supervisão direta aumenta a eficácia do treinamento resistido.

Aplicações Práticas
Se adequadamente supervisionado, o treinamento resistido pode ser seguro e eficaz e pode também facilitar na redução do risco para lesão durante a participação em atividades esportivas. O programa de treinamento resistido para crianças mais novas deve focar principalmente na segurança da utilização dos equipamentos para evitar lesões acidentais, na aquisição das técnicas apropriadas do treinamento resistido e, finalmente, na progressão do treinamento apropriada, que permita o desenvolvimento da força e da potência. O treinamento resistido sem supervisão deve ser evitado tanto em pré adolescentes quanto em adolescentes.

MYER, GD, QUATMAN, CE, KHOURY, J, WALL, EJ E HEWETT, TE Youth versus Adult WEIGHTLIFITING Injuries presenting to United States emergency Room: Accidental Versus Nonaccidental Injury Mechanisms. J Strength Cond Res 23(7): 2054-2060, 2009

Análise da percepção de lesões em academias de ginástica

A conscientização da importância de assegurar-se a qualidade de vida vem provocando mudanças no estilo de vida das pessoas, o qual tende a ser mais ativo, por meio da adesão às atividades físicas. Estudos mostram que a atividade física promove benefícios imediatos (regularização dos níveis de glicose sanguínea, de adrenalina e noradrenalina, assim como da quantidade e qualidade do sono) e a longo prazo (melhora do funcionamento cardiovascular, flexibilidade, resistência, potência e força muscular, equilíbrio, coordenação e velocidade de movimento). Além disso, existem evidências quanto à diminuição da incidência de doenças músculo-esqueléticas, cardiovasculares, metabólicas e da taxa de mortalidade na população e aumento do bem-estar subjetivo.

Os efeitos da atividade física são dependentes de algumas variáveis como intensidade, duração, freqüência e tipo de atividade realizada. Dessa forma, mudanças nessas variáveis podem levar a alterações positivas ou negativas no organismo). Sabe-se que a população que pratica algum tipo de atividade física, quer no sentido competitivo ou recreativo, apresenta-se exposta a acidentes decorrentes dessa prática denominados lesões esportivas. O termo lesão é definido como qualquer alteração tecidual que resulte em dor ou desconforto, sendo que o sistema músculo-esquelético é citado como o mais freqüentemente acometido.

A literatura mostra que idade, sexo, condição física do participante, assim como a especificidade da atividade esportiva pode contribuir para uma maior incidência e severidade dessas lesões.

Após os anos 70, o surgimento das academias de ginástica tem sido considerado um dos maiores fenômenos sociais em todo o mundo. Inicialmente, as atividades físicas realizadas em academias eram procuradas com objetivo principalmente estético. Este objetivo ampliou-se na atualidade, destacando-se a busca por condicionamento físico e promoção de saúde, modificando a realidade nas academias. Além da diversidade de aulas individuais e em grupo, são encontrados inúmeros e sofisticados aparelhos de musculação. Atualmente, a musculação é praticada no sentido competitivo, recreacional e como parte do treinamento de atletas de outras modalidades. Entretanto essa atividade esportiva pode causar lesões músculo-esqueléticas importantes. Algumas pesquisas sugerem que o treinamento excessivo, o uso impróprio das técnicas de treinamento, ou a combinação de ambos, além de outros fatores, podem ser causas dessas lesões nos praticantes dessa modalidade esportiva. Alguns estudos apontam a falta de supervisão na realização de exercícios como possível causa de lesão na prática da musculação.
Os resultados de estudo evidenciam que mais da metade dos alunos praticantes de atividade física em academias relataram a percepção de alguma lesão. Destes, 48% acreditavam que a lesão estava relacionada às atividades realizadas na academia. Pesquisadores, constataram que mais da metade dos alunos relataram dores resultantes da prática da musculação e relacionaram-nas unicamente à modalidade esportiva em questão. No estudo com adolescentes praticantes de musculação, foi encontrada uma incidência de 39% de lesão.

A idade dos alunos das academias apresentou grande variabilidade (18 a 69 anos). Este dado chama a atenção para a presença de pessoas mais velhas na academia. Isso pode estar relacionado ao fato de que os benefícios da atividade física regular, durante o processo de envelhecimento, vêm sendo amplamente divulgados.

Em relação à localização da lesão, o joelho foi o segmento corporal mais freqüentemente citado, seguido por ombro e coluna. No estudo realizado por pesquisadores, o ombro foi o segmento mais acometido na prática da musculação, seguido por coluna e cotovelo. Um outro pesquisador, comparando diversos estudos, verificaram uma maior incidência de lesões na coluna em relação a outros segmentos corporais entre praticantes de musculação. Os tipos de lesões associados com a prática da musculação mais encontrados foram tendinite de supraespinhoso, instabilidade anterior de ombro, espondilolistese, osteoartrite patelofemoral e tíbiofemoral.

Pesquisadores, analisando desconfortos musculoesqueléticos percebidos pela população em geral, verificou uma maior freqüência destes em pessoas mais velhas. Em um estudo sobre a prevalência de problemas articulares foi encontrado um aumento da freqüência destes com a idade.

A partir dos resultados de estudos, nota-se que a percepção de lesões osteomusculares por praticantes de atividade física não é um evento raro. Não obstante a dimensão do problema, grande parte dos alunos (48%) que frequentam academias de ginástica acreditam que tais lesões estão relacionadas aos exercícios realizados na academia. Torna-se relevante, portanto, alertar a população e os profissionais da área desportiva sobre a importância de se praticar atividade física com segurança a fim de alcançar um nível de treinamento satisfatório e com qualidade.

Para que se obtenha os efeitos desejáveis do treinamento físico, é primordial que este seja conduzido em intensidade e duração adequados. Aliado a isso, a frequência elevada de lesões osteomusculares percebidas ressaltam a importância da presença de um profissional qualificado no local. Educadores físicos, fisioterapeutas e proprietários de academias devem estar atentos à possível ocorrência de lesões seguidas ao exercício físico, para que estratégias de intervenção e prevenção sejam desenvolvidas. Por fim,
acrescente-se a essas ações, a necessidade de conscientizar os alunos a cerca dos riscos existentes durante o treinamento e orientá-los para a identificação precoce de sinais ou sintomas que possam ameaçar a sua saúde, buscando com isso minimizar a ocorrência de lesões e garantir melhor qualidade de vida.

ROLLA, A. F. L., ZIBAOUI, N., SAMPAIO, R. F., VIANA, S. O. Análise da percepção de lesões em academinas de ginástica de Belo Horizonte: um estudo exploratório. R. bras. Ci.e Mov. 2004; 12(2): 7-12.

Prescrição dos exercícios de musculação

A anatomia descreve a localização, forma, origem e inserção dos músculos esqueléticos. Esse conhecimento é básico e fundamental para qualquer profissional que atue diretamente nesta musculatura (fisioterapeutas e professores de educação física, por exemplo). Entretanto, para desenvolver um trabalho muscular eficiente de força é indispensável conhecer profundamente a anatomia muscular, além de saber os níveis de ativação elétrica dos músculos nas diferentes variações dos exercícios. Portanto, livros, revistas ou artigos que se proponham a descrever a ação muscular nos exercícios de musculação devem estar baseados na anatomia e na ativação elétrica dos músculos. Desta maneira, o treinamento será elaborado com diversas possibilidades, e cada indivíduo deverá fazer apenas os exercícios mais indicados para sua real condição física.
A análise anatômica e a análise eletromiográfica mostraram resultados distintos em alguns exercícios estudados, e em outros exercícios essas análises complementaram-se, o que mostra a necessidade de mais estudos.
Concluímos que os profissionais de educação física devem ter conhecimento profundo da anatomia muscular e da atividade elétrica do músculo durante os diferentes exercícios , tendo sempre em mente a necessidade de procurar um referencial teórico e metodológico bem fundamentado, pois um planejamento baseado no conhecimento anatômico e eletromiográfico pode direcionar melhor o treino em função dos objetivos e limitações do praticante.
MALDONATO D.T.; CARVALHO M.; BRANDINA K.; GAMA E.F.; Análise anatômica e eletromiográfica dos exercícios de leg press, agachamento e stiff. Revista Integração N°53 151-157, 2008

sábado, 21 de março de 2009

Exercício para saúde na fase inicial posmenopausa em mulheres


Quando uma mulher que recentemente entrou no processo de menopausa pergunta a um profissional da saúde para aconselhá-la como melhorar sua saúde com a atividade física, como se deve responder?

Na população feminina dos Estados Unidos e da Europa, a menopausa ocorre numa idade média de 50 anos. Pode iniciar com uma rápida fase de redução na aptidão aeróbia, força muscular e densidade mineral óssea (BMD), bem como com ganho de peso, o que aumenta o risco para muitas doenças crônicas como as coronariopatias, diabetes mellitus tipo 2 e as fraturas osteoporóticas, especialmente em pessoas sedentárias.
Muitas recomendações de exercícios são relevantes para mulheres após a menopausa, para a saúde pública, dentre outras recomendações. Estas recomendações estão focalizadas em vários aspectos da saúde e da aptidão, e atingem conclusões um tanto diferentes. As atividades do cotidiano são recomendadas para a saúde geral; a combinação do treinamento aeróbio de intensidade moderada a alta com o treinamento resistido são recomendados para a aptidão, altos volumes de exercício para o controle do peso, treinamento de força e de alto impacto para a osteoporose e exercícios de intensidade moderada para as doenças cardíacas. Ao aproximar-se do envelhecimento, preservar a força muscular, o balanço e a coordenação tornam-se os objetivos mais importantes do treinamento.

Sendo assim, quais exercícios devem ser recomendados às mulheres que entraram recentemente na menopausa?

Existem muitas diferenças fisiológicas nas mulheres quando comparadas aos homens. Começando pela morfologia, as mulheres apresentam um tamanho menor, mais gordura corporal, diferenças na distribuição da gordura corporal, ossos menos densos, diferenças na estrutura óssea, articular e na postura corporal que predispõe as lesões relacionadas ao exercício em membros inferiores. As mulheres possuem aproximadamente 30% menos força muscular e são geralmente mais flexíveis do que os homens. As mulheres possuem uma potência aeróbia máxima aproximadamente 20% menor do que os homens, menor capacidade de transportar oxigênio no sangue devido a menores concentrações de hemoglobina, bem como apresentam diferenças hemodinâmicas durante o exercício. Existem também muitas diferenças metabólicas entre mulheres e homens, como, por exemplo, diferenças hormonais em repouso e em resposta ao exercício, bem como também apresentam diferenças nos lipídeos sanguíneos. Todas estas variáveis devem ser consideradas ao prescrevermos um programa de exercícios. Por exemplo, corridas de baixa velocidade podem ser viáveis para um homem sedentário de meia-idade, mas para algumas mulheres na menopausa podem ser muito extenuantes.
Para responder as questões levantadas anteriormente, foi conduzido uma revisão de literatura científica sistemática envolvendo exercícios que focalizaram as mulheres que recentemente entraram na menopausa. Foi escolhido os resultados de acordo com o conceito da aptidão relacionada à saúde (ARS), cujos componentes estão relacionados à saúde e podem ser influenciados pela atividade física. A ARS inclui os componentes morfológicos, músculo esqueléticos, motores, cárdio-respiratórios e metabólicos. A aptidão morfológica inclui a composição corporal e resistência óssea, que são importantes para a prevenção das coronariopatias, diabetes tipo 2, osteoporose e fraturas osteoporóticas. A aptidão músculo esquelética e motora, que inclui a força e resistência muscular, flexibilidade e controle postural, são necessários para preservar uma boa capacidade funcional, permitir uma vida longa e independente na terceira idade e também para prevenir fraturas. Uma boa aptidão cardio respiratória previne as coronariopatias e reduz a mortalidade por causas diversas. Uma boa aptidão metabólica [metabolismo normal dos carboidratos (glicose) e lipídeos(triglicerídeos, HDL, LDL)] reduz o risco de coronariopatias e diabetes tipo 2.

O que fazer?

O exercício aeróbio melhora a potência aeróbia máxima de uma maneira dose-resposta, e algumas melhorias podem ser observadas mesmo com baixas intensidades de exercício e também quando o exercício é fracionado em intervalos mais curtos, com sessões diárias de 10 minutos. Melhorar a capacidade submáxima é relevante para pessoas sedentárias, porque a maioria das tarefas diárias não necessita de esforço máximo, mas são mais bem realizadas com uma boa resistência submáxima. Não existem dados suficientes acerca dos efeitos do exercício sobre a pressão arterial em mulheres que recentemente entraram na menopausa.
Para o controle do peso o gasto energético via exercício é mais relevante que a intensidade Um quilo de gordura equivale a 7000 kcal e necessita de uma grande quantidade de atividade física para ser perdida, caso o exercício seja a única forma de perder gordura. O exercício isoladamente poderia não ser recomendado para o paciente como a única maneira de perder peso. Estudos mostram que, para uma pessoa acima do peso, combinar o exercício com uma dieta alimentar é a melhor maneira para a perda de peso. O objetivo seria modificar hábitos alimentares e exercitar-se permanentemente. A atividade física também auxiliaria na manutenção do peso corporal após a redução de peso.
Estudos sobre os efeitos do treinamento na força muscular demonstraram que mulheres na idade pós-menopausa são treináveis e grandes melhorias na força muscular podem ser esperadas em pessoas sedentárias. A força muscular é muito importante para mulheres na menopausa não apenas para auxiliar na preservação da força muscular no envelhecimento, mas a pouca força muscular também é um potente fator de risco para a mortalidade de forma geral. O alongamento pode aliviar a dor de estruturas músculo esqueléticas contraídas e prevenir lesões. Os componentes da aptidão motora, balanço e coordenação são importantes fatores para a redução no risco de quedas em idosos e também auxiliam para uma vida independente no envelhecimento. A força de membros inferiores e o balanço são essenciais para os idosos e mais importantes ainda que a aptidão aeróbia.

As mulheres encontram-se num risco de desenvolverem a síndrome metabólica da menopausa, especialmente se forem sedentárias, e o exercício é recomendado para prevenir isto. O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda exercícios na para todas as idades e assume que melhoram a saúde e também podem exercer alguns efeitos salutares no metabolismo. Parece que em mulheres na menopausa, tal exercício pode melhorar a aptidão aeróbia, mas não os níveis glicêmicos, não pelo menos com programas de curta duração. E a melhora dos perfil lipídico só ocorre quando há a combinação de dieta e exercícios e não apenas dieta ou apenas exercícios.

Implicações Para a Prática.
O profissional de saúde deve informar seu/sua paciente/cliente sedentária que recentemente entraram na menopausa e que está preocupada com a redução de sua aptidão, de sua força muscular, com o aumento de peso, com a mudança no perfil lipídico e de glicose sanguinea, com o enfraquecimento de seus ossos e com o aumento de sua pressão arterial de que ela pode melhorar sua ARScom um simples programa de exercícios que deve consistir de caminhada moderada em uma a três sessões, em adição ao treinamento resistido realizado duas vezes por semana.
O treinamento resistido necessita de instrução profissional no início, mas após um determinado período pode também ser feito em casa com pouco acessório ou nenhum equipamento como alternativa a uma academia.
Com a realização do exercício é provável que aumente a capacidade cárdio respiratória, preserve o peso normal, ou quando combinado com uma dieta para redução de peso diminua o sobrepeso, melhore a BMD e aumente a força muscular. Este exercício também deve melhorar a flexibilidade, reduzir a hipertensão arterial e melhorar as desordens no metabolismo dos lipídeos e da glicose.

ASIKAINEN T. M.; HARJULA K. K.; SEPPO M. Exercise for health for early postmenopausal women: a systematic review of randomised controlled trials. Sports medicine; 34(11):753-78. 2004

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE PÚBLICA: Atualização das Recomendações para Pessoas Adultas do Colégio Americano de Medicina Esportiva e da Associação


DECLARAÇÃO ATUALIZADA DAS RECOMENDAÇÕES
Esta recomendação é aplicada a pessoas adultas entre 18-65 anos de idade. As recomendações preventivas presentes especificam como que pessoas adultas que ingressam em um programa de atividade física regular pode promover e manter a saúde e reduzir o risco de doenças crônicas e morte prematura.
O ponto de máximo benefíco para a maioria dos benefícios à saúde não foram estabelecidos, mas provavelmente seja influenciado por fatores como genética, idade, sexo, status de saúde, composição corporal e outros fatores. Ultrapassar a quantidade mínima recomendada reduz ainda mais o risco de doenças crônicas relacionadas à inatividade.

Atividade Aeróbia. Para a promoção e a manutenção da saúde, todas as pessoas saudáveis com idades entre 18-65 anos necessitam de atividade física aeróbia de intensidade moderada, praticada por um período mínimo de 30 minutos durante cinco dias da semana ou atividade aeróbia de intensidade vigorosa por um mínimo de 20 minutos durante três dias de cada semana. Combinações de atividades moderadas com atividades de intensidade mais vigorosa também podem ser praticadas para atender a esta recomendação. Por exemplo, uma pessoa pode atender a recomendação ao caminhar rapidamente durante 30 minutos duas vezes por semana e então correr durante 20 minutos em outros dois dias.

Atividades de Fortalecimento Muscular. Para a promoção e a manutenção de uma boa saúde e independência física, pessoas adultas poderão se beneficiar de atividades que mantém ou aumentam a força e a resistência muscular por meio de uma freqüência mínima de treinamento de dois dias por semana. Recomenda-se que um número entre 8-10 exercícios seja praticado em dois ou mais dias não consecutivos de cada semana utilizando os maiores grupos musculares. Para maximizar o desenvolvimento da força muscular, uma resistência (peso) deve ser utilizada de modo que permita 8-12 repetições de cada exercício até atingir a fadiga.

Benefícios de Maiores Quantidades de Atividade.Participação em atividades físicas aeróbicas e de fortalecimento muscular acima da quantidade mínima recomendada favorece benefícios adicionais à saúde e resulta em níveis maiores de aptidão física. Muitos adultos, incluindo aqueles que desejam melhorar sua aptidão física ou reduzir seu risco para o desenvolvimento precoce de doenças cardiovasculares e mortalidade relacionadas com o sedentarismo, devem ultrapassar a quantidade mínima recomendada a um ponto que seja individualmente eficiente para o alcance do balanço energético, enquanto deve ser levado em consideração seu consumo alimentar e outros fatores que afetam o peso corporal.

Dose da Atividade: O termo dose é adotado freqüentemente nas descrições de atividade física, mas pode ser interpretado de várias maneiras – como a quantidade total de atividade física (a energia total gasta) ou como a intensidade, duração, ou freqüência da atividade. A quantidade total de atividade física é uma função de sua intensidade, duração e freqüência. De acordo com isso, as atividades de intensidade vigorosa (aquelas que possuem um equivalente metabólico ou METs > 6.0) programadas para uma determinada duração e freqüência geram um maior gasto energético do que atividade de intensidade moderada (3.0 a 6.0 METs) com a mesma duração e freqüência. Muitos estudos observacionais prospectivos de larga escala envolvendo dezenas de milhares de pessoas têm documentado claramente uma relação dose-resposta entre a atividade física e o risco para doença cardiovascular e mortalidade prematura em homens e mulheres e entre participantes de diferentes etnias. Todos observaram níveis significativamente menores de risco para doenças com maiores quantidades de atividade física.
Baseada em dados recentes, existe alguma indicação que atividades de intensidade vigorosa podem apresentar maiores benefícios para a redução das doenças cardiovasculares e mortalidade prematura do que atividades físicas de intensidade moderada, que é independente de sua contribuição para o gasto energético, Em adição, os resultados de um único estudo observacional sugerem que, depois de levar em consideração a quantidade total de energia gasta em uma determinada atividade, a duração da sessão não influencia no risco. Também está bem documentado que a atividade física de maior duração ou maior intensidade associa-se com decréscimos adicionais nos riscos, mas a forma exata da curva dose-reposta permanece incerta e pode variar, dependendo das variáveis de saúde, do interesse e do nível basal de atividade física da população sendo avaliada.
Embora as pesquisas existentes que abordam o tema sobre o acúmulo de atividade física em sessões curtas estejam menos completas, um sumário das descobertas experimentais sugere que a atividade física de intensidade moderada, praticada em sessões mais curtas (geralmente com duração de 10 minutos) e acumuladas por um período mínimo de 30 minutos pode ser tão eficaz na influência sobre os fatores de risco para doenças crônicas quanto uma única e mais longa sessão de atividade. Fatores como a aptidão cárdio-respiratória, perfil lipídios/lipoproteínas, pressão arterial, insulina plasmática pré-prandial, lipidemia pós-prandial e peso corporal parecem ser afetados beneficamente com sessões intermitentes de atividade física. Em muitos estudos, os efeitos de sessões curtas acumuladas são similares àquelas observadas com sessões contínuas de atividade física com duração ≥ 30 minutos.

Força e Resistência Muscular. Recentemente, o número de evidências embasando os efeitos benéficos à saúde de atividades que aumentam a força e a resistência muscular em populações de pessoas não-idosas tem aumentado rapidamente nos últimos anos. Por exemplo, a aplicação de sobrecarga mecânica no tecido muscular por meio do treinamento resistido pode, efetivamente, estimular um aumento na formação óssea em jovens adultos e desacelerar a perda de massa óssea em indivíduos de meia-idade. Recentes estudos observacionais têm sugerido uma associação inversa entre o risco de mortalidade por causas diversas e os vários componentes da força ou resistência muscular. Embora os mecanismos específicos para estas associações não sejam conhecidos, um mecanismo proposto tem sido a habilidade do fortalecimento muscular de promover o desenvolvimento e a manutenção da massa muscular, metabolicamente ativa, que é particularmente importante para melhorar o metabolismo da glicose. O treinamento resistido praticado pelo menos duas vezes por semana oferece um método seguro e eficiente de melhorar a força e a resistência muscular em torno de 25% a 100% ou mais. Recomenda-se que 8-10 exercícios sejam praticados em dois ou mais dias não-consecutivos por semana utilizando os maiores grupos musculares. Uma resistência (peso) deve ser aplicada de modo que resulte em uma fadiga substancial após 8-12 repetições em cada exercício. As evidências emergentes dos benefícios músculo esqueléticos e os diversos efeitos potenciais do treinamento resistido na promoção da saúde muscular da população apóiam a necessidade de uma recomendação de saúde pública que inclua o treinamento resistido.
Obesidade, Ganho e Perda de Peso. O rápido crescimento da obesidade observado na população reflete a ausência de equilíbrio no balanço energético à medida que muitas pessoas estão gastando consistentemente menos calorias do que consomem.
Seria razoável assumir que pessoas que apresentam um gasto energético relativamente alto teriam uma probabilidade menor de ganhar peso ao longo do tempo quando comparadas àquelas que possuem um gasto energético menor.
Os tipos específicos e as quantidades necessárias de atividade para a prevenção do ganho de peso na maioria das pessoas não tem sido bem estabelecidos, bem como fica evidente que eles não podem ser estabelecidos precisamente sem que sejam considerados fatores individuais como a genética e a ingestão calórica. Portanto, atualmente é melhor assumir que a quantidade específica de atividade física que irá ajudar na prevenção do ganho de peso indesejável e danoso à saúde é uma função que diferencia de pessoa para pessoa, mas em geral uma quantidade maior de atividade física aumenta a probabilidade de atingir os resultados.
Ainda, a despeito da idéia de que a atividade física auxilia na perda de peso, a atividade física parece produzir apenas acréscimos modestos na perda de peso acima daquela alcançada por meio de medidas dietéticas, e seu efeito sem dúvida varia entre as pessoas. Uma revisão dos estudos onde o exercício ou a atividade física foi a única intervenção ou foi adicionado à restrição calórica encontrou apenas perdas de peso modestas em decorrência dos exercícios. Entretanto, estes estudos foram relativamente curtos e os efeitos da atividade física na perda de peso ao longo do tempo continua incerta. Estudos sobre os níveis de atividade física e gasto energético avaliado por meio da técnica de água duplamente marcada geralmente apóiam a noção de que 60-90 minutos de atividade física diária de intensidade moderada pode ser necessária para a manutenção do peso corporal em situações onde grandes quantidades de peso corporal foram perdidas.
A tentativa de manter um peso corporal saudável é influenciada por uma complexa gama de fatores culturais, psicosociais e biológicos, tornando difícil identificar precisamente a causa primária da obesidade referente a cada pessoa.
O consumo de calorias é insidioso, enquanto o gasto energético via atividade física é difícil; portanto é provável que sem uma auto-restrição do consumo energético e sem um maior encorajamento para a prática da atividade física, muitas pessoas se tornarão ou continuarão acima do peso ou obesas. O desenvolvimento de diretrizes integradas ao “balanço calórico” e estratégias específicas de como aplicá-las efetivamente deve ser considerada de alta prioridade para os profissionais da área da nutrição e atividade física. Neste meio tempo, devido aos benefícios obesidade-independentes documentados, adultos independentemente do tamanho corporal ou formato deveriam ser encorajados para atenderem as diretrizes da prática de atividades físicas de intensidade moderada, por um mínimo de 30 minutos diários por 5 dias da semana. Para os indivíduos que atingiram este nível de atividade, mas continuam acima do peso, um aumento na atividade física é um componente razoável de qualquer estratégia para redução de peso.

QUESTÕES ADICIONAIS
Riscos da Atividade Física. Indivíduos adultos fisicamente ativos tendem a experimentar uma incidência aumentada de lesões relacionadas à prática esportiva ou durante os momentos de lazer, quando comparados aos indivíduos menos ativos. Entretanto, parece que adultos saudáveis que atingem as recomendações presentes por meio da prática de atividades de intensidade moderada possuem uma incidência de lesões relacionadas ao sistema músculo esquelético que não é significativamente diferente daquelas observadas em adultos inativos. Homens e mulheres mais ativos possuem uma taxa de ocorrência de lesões maior durante a prática esportiva e atividades recreativas, enquanto que adultos sedentários registram mais lesões em situações que não envolvem esportes ou recreação. Uma possível razão para esta baixa incidência de lesões durante atividades realizadas em momentos não relacionados ao lazer refere-se aos níveis aumentados de aptidão física (resistência, força, balanço) de adultos mais ativos.
O risco de lesões músculo esqueléticas aumenta conforme a intensidade e a quantidade de atividade aumentam e podem ser maiores do que 55% entre homens e mulheres envolvidos em programas de corrida. Portanto, enquanto a atividade física acima dos níveis recomendados resulta em benefícios adicionais à saúde, os riscos associados à saúde músculo-esquelética também aumentam, agindo possivelmente de forma negativa sobre os benefícios adquiridos. Assim como as lesões músculo esqueléticas, o risco de morte súbita ou infarto do miocárdio é muito baixo em adultos saudáveis durante atividades de intensidade moderada. Entretanto, o risco de complicações cardiovasculares aumenta transientemente durante esforços físicos vigorosos, especialmente entre aqueles que possuem doenças coronarianas latentes ou documentadas e que são habitualmente sedentários.

Seleção /Autorização. Existem controvérsias a despeito da utilidade dos procedimentos médicos de avaliação (tais como o teste ergométrico) antes do início de programas de exercícios vigorosos. A ACSM recomenda o teste de esforço sintoma-limitante antes da prática de atividades físicas vigorosas (> 60% VO2max), sendo obrigatório para pessoas com idade igual ou acima de 45 anos, mulheres com idade igual ou superior a 55 anos, para pessoas com 2 ou mais fatores de risco importantes para doenças cardiovasculares, pessoas com qualquer sintoma ou sinal de doença coronariana, ou aqueles com doença pulmonar, metabólica ou cardíaca conhecida. Um estudo realizado pela AHA em 1993 indicou que o teste ergométrico não é necessário para todas as pessoas que estão ingressando em um programa de atividade física de intensidade moderada. Mais ainda, a Força Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA considera desnecessário o uso do teste ergométrico para o rastreamento de doenças cardíacas em indivíduos adultos assintomáticos considerados de baixo risco para doenças cardíacas. Estas recomendações, em conjunto com a baixíssima incidência de complicações cardiovasculares em pessoas assintomáticas durante a prática de atividades físicas de intensidade moderada, o baixo valor prognóstico do teste ergométrico para a detecção de eventos cardíacos agudos, os altos custos do teste e as incertezas relacionadas à interpretação dos resultados eletrocardiográficos anormais ou de imagens cardíacas detectados em pessoas com um baixo risco de doença coronariana indicam que é impraticável a utilização do teste ergométrico para prevenir eventos cardiovasculares sérios em todas as pessoas assintomáticas que se exercitam, especialmente durante a prática de atividades com intensidade moderada. Homens e mulheres assintomáticos, que planejam adotar um estilo de vida fisicamente ativo dentro dos níveis considerados mínimos para atividades de intensidade moderada e de acordo com as intensidades apresentadas nesta recomendação, não necessitam passar por uma consulta médica ou um profissional da área da saúde antes do início das atividades, a não ser que possuam problemas de saúde específicos. Pessoas sintomáticas ou pessoas que possuem qualquer doença cardiovascular, diabetes, outras doenças crônicas em atividade ou qualquer problema médico importante devem consultar um médico ou um especialista da área da saúde antes de aumentar qualquer grau de intensidade na atividade física, particularmente atividades de intensidade vigorosa.

HASKELL, W.L.; I-M. LEE.; R.R. PATE, K.E. POWELL, S.N.BÇAIR, B.A. FRANKILIN, et al. Physical Activity and Public Health: Updated Recommendation for Adults from the American College of Sports Medicine and American Heart Association. Med.Sci. Exerc., Vol.39, No 8, pp 1423-1434, 2007